Pais & filhos, Textos Natal Marsari

Amor Próprio: Só não se ama quem não se conhece realmente.

Por Natal Marsari

“Nunca ninguém me apresentou a mim mesmo.”

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é sempre o caminho mais fácil julgar ao invés de conhecer

Como posso amar aquilo que  não conheço ? . E como posso conhecer se ninguém nunca me apresentou.

Por outro lado,  nunca faltou quem me julgasse. Quantas não foram as vezes em que pessoas  “adultas”  me sentenciaram com rótulos cruéis e depreciativos, que depois na vida adulta deram um trabalho enorme para eu conseguir me livrar deles. 

Eram apenas outras crianças crescidas e envelhecidas pelo tempo. Desgastadas pela vida. Muitas arrasadas pelas próprias experiências. Pessoas doentes, que hoje eu sei, precisavam de muita ajuda. Sim, precisavam de ajuda e de amor também. E como não se abriram para o verdadeiro despertar da consciência humana, passaram a ser semeadores de outros seres tão fracassados quanto elas próprias. A ideia de conviver com alguém que pudesse atingir níveis não alcançados por elas era simplesmente inaceitável.

Quando finalmente passei a me conhecer como realmente sou outra reação não poderia ocorrer a não ser um caso legítimo de amor a primeira vista. Narcisismo ? Sim, narcisismo! E do bom ! Daquele que te faz enxergar que a maior parte, ou quase todas as críticas que você recebe, não são para o seu aperfeiçoamento, mas sim, para a deformação do seu ser. São críticas que de construtivas não tem nada. São verdadeiras flechas envenenadas pelo rancor, pela frustração, pela mágoa de uma vida que não se realizou, e que infelizmente, optou por perpetuar isso nas outras pessoas ao invés de fazer a outra opção e escolher levar luz onde não havia nenhuma. Amor onde não tinha amor. Esperança onde não havia esperança. Fé onde não havia fé alguma. Mas, infelizmente, muitos que não conseguem superar suas feridas, seus machucados emocionais, optam por espalhar ao redor de si o desagradável odor das almas vencidas, aprisionadas, condenadas.

Tive que lutar muito, mas valeu a pena. Hoje sei que não sou a porcaria que tentaram me fazer crer que eu era. Tão jovem, tão infantil, tão inocente. Claro que nem sempre foi assim. Houve épocas nas quais eu tentei me adaptar. Tentei ser quem eu não era na esperança de agradar a tudo e a todos, e quem sabe assim, receber a benção da aprovação alheia. Do reconhecimento dos outros, que sempre me pareciam tão seguros, tão saudáveis, tão invejáveis em suas vidas aparentemente perfeitas. Doce ilusão da qual despertei não sem luta, conflito, sofrimento. Mas valeu a pena!

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Ser capaz de amar si mesmo não tem nada a ver com ser egoísta como muitos pensam. Na verdade é o contrário. Mas isso vou detalhar em outro artigo. Neste pretendo apenas enfatizar que a auto estima é uma conquista valiosa que precisamos conquistar com muita luta, como muito esforço. Ela não vem sem doses maciças de investimento e comprometimento consigo mesmo e com as verdades mais nobres que te motivam e incentivam no caminho da auto realização, do auto conhecimento, e consequentemente da auto estima. Nunca vi em meu consultório um paciente que depois de encontrar-se consigo mesmo continuasse tendo de si próprio um baixo conceito. Ao contrário, em todas as vezes em que este encontro sagrado acontece, a consequência natural é a elevação da auto estima e dos níveis de respeito próprio, ou seja, se antes se submetia a situações nas quais muitas vezes se prejudicava, agora a realidade é outra. Compreende que não é prejudicando a si mesmo que vai fazer o bem a alguém. Essa filosofia de sofrimento neurótico não funciona se o seu objetivo é o desenvolvimento pessoal.

Ser capaz de lutar por si mesmo já é um grande passo rumo à vitória. Sabemos que muitas pessoas são ótimas combatentes em todo tipo de causa. A fome, a paz mundial, justiça social, etc… contudo, quando se trata de lutar por elas mesmas tudo fica diferente, e aquele leão de antes parece se reduzir à um gatinho tímido, incapaz, indefeso, perdido. Parece que lutar por si mesmo não é algo digno, nobre, bonito. Mas a verdade é que é sim, e muito. Gosto de ver e seguir exemplos de pessoas que sabem se posicionar a favor delas mesmas com o mesmo senso de respeito e justiça que o fazem quando se trata de defender os interesses legítimos de outras pessoas.

Sei muito bem o quanto é difícil afastar os fantasmas que nos colocam frequentemente para baixo, impondo obrigações irracionais e descabidas na insana busca pela aprovação alheia. Sei que não é fácil, e por isso mesmo compartilho das ideias que me chegaram com tanta dificuldade, mas felizmente chegaram.

Sei do poder discreto das ideias e das palavras. Devo muito à elas. E, também devo muito a tantos adultos de verdade que souberam enxergar na criança que fui apenas uma criança, cheia de sonhos e de fragilidades. Sou grato a todos eles. Gosto de vasculhar na memória a lembrança destas pessoas especias que tornaram minha vida uma experiência melhor, uma experiência com mais riqueza,  conteúdo, e cor.

 

Textos Natal Marsari

Cristo; O Avatar do Amor

”    Jesus não cabe no imaginário humano   “

Por Natal Marsari

Vamos aos fatos. Não é de hoje que muitos pastores e igrejas no Brasil vêm atacando tudo e todos que não são como eles. Que não pensam como eles. Que não professam a mesma fé que eles.

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Muito bem. Minha classe profissional parece não se importar muito com esse tipo de coisa. Não nos afeta no sentido de que obviamente não passa de um monte de bobagem proveniente de pessoas sem qualquer preparo para nada, a não ser atacar, destruir, difamar, espalhar mentiras, ideias patológicas, enfim, são verdadeiras bactérias sociais a destruir tudo e todos que “ousam” ficar no caminho deles. Um caminho no qual a única meta é dinheiro, dinheiro, e mais dinheiro.

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Não sou nenhuma autoridade religiosa e nem exerço qualquer outro tipo de autoridade sobre ninguém. Mas posso afirmar sem qualquer medo ou equívoco que os anos que tenho de experiência clínica me permitem fazer afirmações pelas quais estou disposto a me expor publicamente.

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Afirmações que qualquer pessoa de bom senso também pode fazer mesmo sem ter frequentado um único ano de uma faculdade. Afirmações que não requerem nenhum tipo de inteligencia especial, mas sim, apenas, honestidade intelectual, e isto tenho de sobra. Dinheiro não tenho. Sou um zé ninguém se comparado aos super pastores com seus jatinhos, mansões, casa de praia, casa de campo, e sabe Deus o que mais essas aves de rapina amealham junto aos pobres coitados que são vergonhosamente explorados em sua fé esquisita. Sim, muito esquisita. Uma fé onde Deus só te atende se você “ofertar” seu carro ? sua casa ? todo seu dinheiro ? Muito esquisito.

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Eu gostaria muito de saber quem disse que foi Deus que diz essas asneiras. Com certeza estes pagarão severamente por tomar o santo Nome em vão. Sim, pagarão. As palavras de Jesus são palavras vivas, elas não passam. O mundo passará mas sua palavra não. E portanto, fiquem atentos porque o juízo vem quando menos se espera.

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Jesus veio ao mundo e trouxe sua luz para todos os povos. Jesus é conhecido na Índia como o “Avatar do Amor” – sabem o que isto quer dizer  ? Quer dizer que ele é uma encarnação do Amor. Conseguem sentir o peso desse título ? Jesus não cabe no imaginário humano como diz Augusto Cury em suas palestras. Jesus não cabe em nenhum tipo de rótulo ou qualquer classificação que se possa fazer. Ele é a Vida e veio para nos trazer “vida em abundância” Ele não precisa de dinheiro para nada e muito menos quer que os pobres coitados fiquem sem suas míseras economias.

Para o Avatar do Amor só o Amor importa. Portanto, se não sabeis o que é o amor, como podereis achar que sabem alguma coisa sobre Deus ? Estes falsos profetas pagarão sim,  “até o último centavo” por suas ações criminosas.

Estas são minhas afirmações; que os falsos profetas sentirão a ira do Deus vivo. Que chegará o dia em que toda mentira cessará de uma vez por todas. Chegará o dia em que finalmente os verdadeiros cristãos – os que tem amor em suas vidas – conhecerão o novo céu e a nova terra, onde a justiça reinará eternamente.

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 Onde está sua fortuna ?

Onde estão suas joias caras ?

Onde estão seus amigos poderosos ?

Confundir Deus com dinheiro é coisa de gente muito mesquinha. Deus é amor e só no amor pode ser conhecido.

Natal Marsari Neto, orgulhosamente psicólogo prescrutador de almas e de mentes

 

Textos Natal Marsari

2017 – De volta à Idade Média -A idade das trevas

Não nos fazemos deuses para ninguém simplesmente por saber tratar pessoas que sofrem de inúmeros males

por Natal Marsari

Confesso que não gosto de polêmicas. Ao contrário de muita gente que curte isso como forma de aparecer e criar algum tipo de sensação, eu prefiro mesmo permanecer no sossego do silêncio e do anonimato. Encontrei muitas coisas boas no silêncio, na discrição, na calmaria longe das baboseiras que muitas pessoas querem nos obrigar a ouvir calados.

Pois bem, mesmo assim eu não pude deixar de escrever este pequeno texto. Já escrevi outros no mesmo sentido, há muito tempo, e de lá para cá venho notando o quanto nossa sociedade vem piorando em vários sentidos.

Já escrevi sobre os malefícios da televisão brasileira e seu processo de bestialização das massas, em 1998, e acompanhei perplexo como a televisão conseguiu se superar a cada ano. Como conseguiu ficar pior – e olhem que nem havia ainda o tal BBB.

Então, é claro que eu sei que meus textos não significam nada. Que não irão mudar coisa alguma. Mesmo assim acho importante registrar alguns pontos que venho analisando nos últimos tempos.

São muitos pontos, mas não posso escrever tudo de uma vez se não nem eu mesmo entendo o que eu escrevi depois. Acho que escrever é um negócio gostoso, mas difícil. Você tem uma ideia e quer comunicá-la e não consegue – um saco! Enfim, vamos ao que interessa.

Neste texto estou apontando nosso constante processo de retrocesso cultural, humano, e todas as outras formas que você identificar. espiritual, intelectual, social, etc etc etc…

Mas, por que ?  Ora, vamos aos fatos. Quem não viu perplexo a história do pastor Valdomiro esfregando a camisa suja de sangue na cara dos “fiéis” prometendo curas para todo tipo de mal ?

Nós não estudamos a vida toda para iludir ninguém

O Brasil sentiu isso – muitas pessoas gravaram vídeos de repúdio à essa estupidez, mas como sempre acontece, tudo volta ao normal e nada acontece aos poderosos da nação.

Estamos sim de volta à idade media, a idade das trevas como ficou conhecida essa parte da história devido ao seu obscurantismo total na qual a humanidade se encontrava mergulhada. Superstições, ignorância, e medo dominavam a vida dos povos. E hoje ? Não vejo fé em quase lugar algum, mas sim muita superstição. Não vejo pessoas falando embasadas em algum conhecimento real que obtiveram, mas sim ostentando crenças ridículas (ignorantes), e o medo como a pedra de toque de tudo isso.

Em pleno 2017 as pessoas ainda temem ir para o inferno. Ainda temem o demônio. Será que não percebem o que está acontecendo. O diabo está entre nós há muito tempo na forma de falsos pastores e profetas, iludindo os incautos, que pagarão pela própria ignorância.

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Eu sou psicólogo há dezesseis anos. Quando me formei era mais comum que as lideranças religiosas incentivassem seus fieis a procurarem ajuda profissional quando estavam necessitando de algum tipo de atendimento especializado.

Mas isso foi mudando. Hoje, muitos pastores pregam contra nós psicólogos – e por que isso acontece ? Simples, esses lobos em pele de cordeiro, com seus terninhos baratos, sabem que nós estudamos muito para levar luz para as pessoas e não trevas como eles fazem. Nós não estudamos a vida toda para iludir ninguém. E quando um paciente se recupera de uma enfermidade jamais dizemos que fomos nós que curamos, mas sim que houve um trabalho em conjunto no qual ele, o paciente, é quem mais detém os méritos de sua cura. Não nos fazemos deuses para ninguém simplesmente por saber tratar pessoas que sofrem de inúmeros males. Nós não somos deuses nem almejamos a se-lo. Somos humanos, demasiadamente humanos, e assim desejamos permanecer. A graça da vida está em nossa humanidade real, possível, honesta. Uma humanidade que nos coloca em contato com outros seres humanos iguais a nós, sonhadores, desejantes, imperfeitos, mas sempre belos, pois assim Deus nos fez.

Textos Natal Marsari

Sobre ser bom e ser bobo

Por Natal Marsari

Qual a diferença entre ser bom e ser bobo ?

O que dizem de nós brasileiros ? Bom, quando os estrangeiros querem dizer algo positivo sempre dizem que somos um povo bom, acolhedor, de fácil expressão afetiva. Contudo, quando querem apenas falar … não é bem isso que muitos dizem. Talvez até a maioria, não tenho como saber ao certo com exatidão. Mas a experiência me diz que, infelizmente, não somos bem vistos não.

Em geral, a visão que os “estranhos” tem de nós não representa a verdade mais pura e nem o seu contrário, a mentira mais grosseira, mas sim um misto de percepções das quais podemos nos servir para aprendermos mais sobre nós mesmos, e sobre as impressões que causamos.

Uma destas impressões que quero destacar aqui neste texto é sobre o fato de sermos bons e bobos ao mesmo tempo. Sim, não somos conhecidos no mundo por sermos um povo mau, mas também não somos famosos por sermos bons.

Não somos nem bons e nem maus, então na verdade … bobos! E por que isto acontece ? Muito provavelmente somos do jeito que somos devido à nossa cultura, marcada pela exploração e escravização ao longo de muitos anos. Isso deixou marcas profundas em nossa identidade, difíceis de lidar. Difícil de resolver.

Qual o brasileiro que duvida hoje de que a escravidão em nossa país continua a todo vapor ? Pintaram as correntes. Decoraram nossa senzala, mas a liberdade continua sendo um sonho distante.

Neste contexto escravagista fica difícil distinguirmos o que é ser bom ou que vem a ser o bobo. Do ponto de vista conceitual é muito simples esta distinção. O bobo é o indivíduo mantido por reis e poderosos desde a Antiguidade para os divertirem com caretas, graças e zombarias; truão, bufão, bufo. E bom seria aquele que corresponde plenamente ao que é exigido, desejado ou esperado quanto à sua natureza, adequação, função, eficácia, funcionamento etc. (diz-se de ser ou coisa), que é misericordioso ou indulgente; magnânimo, caridoso. Mas do ponto de vista prático a coisa já complica um pouco.

Como saber se você está sendo bom ou se está sendo bobo ?

Minha primeira dica, baseada em anos de escuta clínica, me diz que se você tem essa dúvida isso já implica num sinal importante a ser levado em conta, e não desprezado, ou seja, confie em sua intuição.

Para não me estender demais nesta reflexão, vou concluir o texto apresentando duas dicas simples para que você possa distinguir entre ser bom e ser bobo. E veja, eu tenho muita experiencia nisto. Já fui bobo infinitas vezes. Um verdadeiro expert rss, mas também gozo do prazer de ser bom, e por isto sinto-em no direito e até no dever de partilhar o que aprendi e graças a Deus continuo aprendendo.

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A primeira regra é extremamente clara e simples. Você não é obrigado a gostar de ninguém. Nem de agradar, e nem mesmo a ajudar. Vai dizer que é egoísmo ? Pode ser. Você escolhe. Ou um pouco de egoísmo assumido ou a santidade almejada transformada em porcaria por aqueles que são incapazes de distinguir entre esquerda e direita mas que são rápidos no julgamento, na condenação dos semelhantes.

Ser bom é uma escolha e não uma obrigação. Como eu disse anteriormente nossa cultura de exploração e escravização nos torna um povo infantil e cheio de culpas, e para escapar delas muitas vezes nos obrigamos no nosso subconsciente a sermos extremamente bons com tudo e com todos.

Quando somos bons nós não somos bons com tudo e com todos. Isto não é ser bom, mas bobo, por que mostra falta de discernimento e de percepção da realidade. Vai dizer: “Fazer o bem e não olhar a quem” – Ótimo, eu curto essa ideia, mas isso não pode transformar você em um indivíduo sem a possibilidade de escolha, sem a possibilidade de opção. Lembre-se o bobo é sempre um prisioneiro, um mero escravo muitas vezes dos caprichos alheios. O bom é livre para exercer sua bondade, inclusive suporta muito bem a ideia de ser mau, quando não agrada alguém que acreditar ser obrigação dele estar sempre agindo para agradar.

A segunda regra para encerrar o artigo também é simples. De tempo ao tempo. Não fique se julgando em cada pedacinho de acontecimento. Deixe o tempo agir. Faça uma escolha em sua vida e espere os resultados, os frutos. Os frutos do bobo são sempre amargos. Os do bom não. Essa é a prova dos nove para saber se estamos sendo bons ou bobos – se ao longo do tempo estivermos colhendo frutos amargos então é porque estamos sendo bobos, mas se ao longo do tempo nossa bondade estiver sendo praticada de maneira realista os frutos certamente serão doces e muito agradáveis.

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Textos Natal Marsari

Sonhos fazem vencedores

Sim, sonhos fazem vencedores. Vencedores como Ricardo Alves. Quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe do que estou falando. Uma pessoa difícil de descrever. Difícil até de acreditar que existam pessoas como a que ele foi enquanto nos deu a benção de sua companhia aqui neste planetinha azul.

Já tentei escrever outros textos para falar do Ricardo mas sempre encontro muita dificuldade. Tenho medo de não ser capaz minimamente de expressar, um pouquinho que seja, toda a grandeza dessa pessoa. Mas vamos em frente… Deus há de me ajudar.

Gosto de falar dele não só porque foi um cunhado muito querido e um amigo desses que se vê em filmes. Não, não só por isto – embora isto não seja pouco de modo algum. Mas eu gosto de falar dele principalmente porque o Ricardo mantinha dentro de si uma visão de mundo ímpar, singular, e isto o tornava muito especial. E quanto mais o tempo vai passando mais eu tenho a impressão de entender algumas coisas que não era capaz de entender enquanto estávamos mais próximos.

Gosto de lembrar dele e daquela calma digna de fazer inveja ao próprio Jó. Quantas vezes vi o Ricardo enfurecido, descontrolado, soltando fogo pelas ventas ? Nenhuma. Ele possuía a calma, o nobre charme da sabedoria.

Eu diria que o Ricardo foi um sábio entre nós. E como todos os sábios, muitas vezes bem pouco compreendido. Ele dedicou sua vida ao esporte. Sabia que esse caminho é transformador. O esporte na vida de Ricardo Alves foi seu meio mágico de transformar em realidade o sonho de muitas pessoas.

Nem imagino quanta falta ele está fazendo para seus atletas. Nem posso oferecer nada a eles, a não ser minha solidariedade na saudade do nosso herói cosmopolense. O Ricardo faz falta para todos nós. Mas por outro lado, algumas pessoas que assim como eu tiveram a sorte de conviver com ele, aceitam o fato dele continuar sua jornada em outros mundos. Aceitamos que ele tenha nos deixado. Que tenha partido tão cedo. Sabemos que alguém como ele tem muito a fazer pelos mundos afora. Outras tantas almas também precisam beber daquela fonte. Há muitos outros sonhadores para serem transformados em verdadeiros vencedores.

Até novamente um dia grande amigo e professor Ricardo Alves.

 

 

Textos Natal Marsari

Dizem que sou louco por eu ser assim

 

Por Natal Marsari

 

Só agora percebo tudo o que isto quer dizer, o quanto fui enquadrado em estreitas óticas preconceituosas e quanto mal tudo isso me fez. Os adultos convenceram-me a ser como eles. A trabalhar feito mula de carga para estar com a consciência tranquila de que sou um bom cidadão, um bom sujeito que certamente irá para o céu, mas até lá me ensinaram que o inferno é o meu lugar. O inferno de uma vida infeliz, sem graça, cheia de preocupações, frustrações, mágoas e ressentimentos.

A quem devo agradecer minha loucura ? Ao Criador ? A quem mais seria ? Como agradeço o fato de não ser igual a todo mundo. De não pensar como todo mundo. De não me enquadrar nas caixas que criaram pra mim sem jamais me perguntarem o que eu pensava a respeito. Como agradeço o fato de ser diferente! De fazer as coisas de modo diferente, principalmente em um mundo tão obcecado pela ideia de repetir tudo sem refletir em nada, de fazer igual ao que o outro faz simplesmente por de ter medo de ousar ser original.

Sim, isto mesmo, estou feliz com minha loucura. Saí do armário da normalidade. Das normas da ignorância, das normas da violência e da arrogância alheia. Ah! como é bom respirar o ar puro dos loucos, dos livres, dos felizes !

Agora que despertei vejo quanto trabalho a fazer. Quantos mundos a explorar. Quantas aventuras a se viver. Ah! como é bom estar livre do seu falso eu. Daquele personagem que criamos ou que criam pra nós com a finalidade de nos enquadramos na norma, na normalidade, na média, na mediocridade.

Ouçam meus senhores o grito de um ex-escravo de sentimentos pequeninos, de ideias bizarras e infames. Ouçam meus senhores a alegria que vem de dentro… daquele lugar sagrado que só nós podemos habitar, e que só nós mesmos podemos dar passagem aos que querem, de alma sincera, nos fazer uma visita.

Sejam bem vindos ao meu mundo, à minha alma. Sejam bem vindos ao meu planeta. Ao meu universo particular. Levem o que quiserem. Presentes são bem vindos. Só lhes peço a gentileza de não tocar em nada que lhes fuja ao entendimento. Deixe como está. Assim é bem melhor pra nós dois.

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